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Quem sou eu?
Camila, 20 anos, mora em Belo Horizonte - MG, uma pessoa amiga, sincera e apaixonada, que tenta viver da melhor forma o possível e se entrega de corpo e alma aos seus sentimentos! Que sabe ouvir e falar um pouco sobre tudo, mas também almeja atenção! No meio da caminhada da vida encontrou algumas dificuldades: a bulimia e a infertilidade, mas tenta superar esses obstáculos através da força de vontade e desse cantinho, onde está seu reflexo interior!!!!
No CD-player: Aimee Mann, Fernanda Porto, Dj Patife
Na cabeçeira: O processo - Kafka
O que gosta: Ler, ir ao shopping, internet, música, trabalhar, decoração, Tae Kwon Do
O que detesta: insensibilidade, falsidade e egoísmo
Amores: Minha família e ...


Eu mesmo no i*Eu!

Meu humor atual - i*Eu

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Meu caminho

19/06/2004 14:45

Pessoal desculpem mais um post neste sentido... mas preciso passar esse recado e vai ser por aqui... quem sabe possa servir pra alguém também...

Quando você vai crescer? Já não é um adolescente bobo que pode usar da sua condição para justificar o injustificável... o tempo passa e as pessoas que te amam vão desistindo, é difícil manter esperança quando por mais que tentemos lhe ajudar somos simplesmente desprezados, preteridos, trocados justamente pelo que tanto lutamos contra... Será que que aquele garotinho bom ainda existe? Será que ele está preso querendo sair? Mas como poderíamos ajudá-lo... Compreensão não adianta, se compreendemos nos anulamos, escondemos de você e de nós mesmos o desejo de que algo mude. Você a cada dia mais tolhe nosso carinho, carente de atenção sabemos que é, mas parece que tudo que fazemos por você é ignorado... às vezes sinto como se estivesse transformando meus ideais em areia jogada ao vento, eles se espalham como cacos de um vaso quebrado, coração despedaçado... E cá estou eu de novo a colar os pedaços e tentar de novo!!!!! A caminhada é longa e dura, aprendemos a racionalizar, a esconder sentimentos, a matar desejos - aprendi que se cresce sofrendo, mas será que você só vai crescer se presenciar o sofrimento completo? Engraçado como os valores são distorcidos, do jeito que anda acabará perdendo justamente seus pilares, afinal ao mesmo tempo em que vemos você se matar aos poucos estamos agonizando - deixo muitas vezes de respirar - nesse momento inspiro sonhos e expiro dor - e é assim que tento encarar de frente! Ao contrário você têm caminhado na contramão, se esconde ao invés de enfrentar - sei lá?! é mais fácil? acho que pode ser, mas é menos satisfatório e é mais duro pra nós que lhe queremos tão bem! Desculpa o desabafo, mas te amo desde sempre... nunca deixei de te amar, mesmo quando várias vezes falei em ódio, na verdade não deixarei jamais, e acho que é por isso que carrego essa cruz... a cruz de ainda acreditar, de ainda olhar nos seus olhos e enxergar o pranto de um garoto incompreendido, os gritos de atenção - chego a ouvir toda vez que estou do seu lado a canção silenciosa de alguém que só queria ser aceito socialmente. Se olha no espelho, mas não de relance, se encare, se admire e veja o que você se tornou... um projeto de humanidade vazia, aliás como nosso mundo têm fabricado pessoas que não conseguem extravasar seus valores puros! Analise, leia seu coração, abra sua mente, pense no que deseja pra seu futuro, no que almeja e sonha e veja o quão distante você está de realizar isso! Liberte-se, afinal, você acha que é livre, mas essa sua liberdade nada mais é do que uma gaiola permanentemente aberta da qual você não consegue sair... vôe e lute - seja efetivamente você, sem necessidade de se ancorar numa sensação para viver! E por fim lembre-se: estarei sempre aqui, mesmo que seja pra amparar esse "semi-você"!

Outro texto... esse não é meu, é do Vitor Leal, mas fala mais ou menos do que estou passando...

Através do Espelho
Costumava me orgulhar de quem eu via no espelho. Era um garoto puro, sincero, honesto. E infeliz. E odiado, xingado, deprimido e marginalizado. Entrei então na faculdade, e conheci o mundo. E quis ter amigos, e quis ser amado. E mudei, cresci, aprendi. Sai da casca, me tornei alguém passível de admiração. De longe, é claro. E droguei-me nos prazeres fáceis da vida. Consegui amigos. Amigos de verdade, amigos que te fazem procurar a virtude, mesmo sabendo que somos todos imperfeitos. E ganhei inimigos. Inimigos que sempre que podem te cutucam, te machucam. Inimigos que saiam de seu caminho para me incomodar.
Fugi de mim mesmo, encontrei um outro eu. Um Outro. Troquei o gel pelos cabelos compridos. A decência pela mentira. A virtude pelas vulgaridades. Sempre que saía, bebia e fazia bobagens. Aprendi que a ressaca não é só física, quanto moral. Odiava encontrar um de meus amigos depois de me acabado em alguma balada. Pois, por mais que soubesse que ele não me desquereria, temia que eu pudesse ter feito algo errado. E pudesse ter errado com alguém que não merecia.
Comecei a sentir a necessidade dessas coisas. No começo, lembro-me bem, me esforçava por não beber de vez em quando: no dia em que não me divertisse sem beber, me preocuparia. Me preocupo. Busquei a podridão e chafurdei na lama da futilidade. Lembro-me de uma época em que sentia orgulho de quem eu era, uma pessoa verdadeira. Mas conheci a vida e a vida me fez um conhecido. Endeusei um mundo de superficialidade. Não me envolvi mais. Não conheci pessoas que valessem a pena. Na verdade, acho que elas não são muitas. Tornei-me um adicto. Foi então que me cansei e tateei pelo interruptor. Mas não o achei. Tornei-me uma sombra de mim mesmo, cada vez mais evanescente, cada vez mais amorfa. Tornei-me aquilo que sempre odiei.
E encontrei alguém. Alguém que poderia me salvar. Alguém que também tinha entrado pelos mesmos caminhos vazios e doloridos. Caminhos de prazeres instantâneos, gozos vazios. E encontrei esse alguém. Ela também era uma pessoa que se odiava em muitos momentos. Flores por fora, podres por dentro. E ela me mostrou que havia mais do que só essas vidas.
Mas eu era um adicto. E adictos têm recaídas. Adictos demoram a aprender. Adictos sofrem as dores da abstinência. E quando aprendi, quando finalmente deixei o vício, não olhava mais para a pessoa que amava. Só via uma mão, e deixei de ver os olhos. Deixei de ouvir a boca e almejar os ouvidos. Vivemos vidas secretas, cada um a seu tempo. Cada um por seus motivos. E aprendi que vidas devem ser vividas, não escondidas. E na desilusão de não ser mais feliz ao meu lado, ela procurou aquilo que melhor conhecia. Um lugar sem responsabilidades, sem preocupações. Um caminho parecido com o alcoolismo. Um gole basta. Eu sei bem, é um caminho que eu encaro todo dia. E ainda não sei se posso escapar. Mas agora pelo menos eu sei. Sei que não quero viver sem amor, só de prazeres.
E acabou, e não somos. Fomos. Ou nunca fomos.
E me olhei no espelho. E chorei.
enviada por milinha






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